terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Uma boa notícia

Cada vez mais me convenço que o principal problema da vida política portuguesa, e não apenas da portuguesa, é a degradação da qualidade da vida interna dos partidos. Os aparelhos partidários influenciam e filtram quem chega a protagonista na vida política e domina o espaço público: candidatos a deputados, a presidentes de câmara, juntas de freguesia, ... Claro que há excepções, como Vítor Gaspar, mas são excepções. E chegam pela mão de quem soube subir dentro do partido. 

Os partidos são associações de pessoas com convicções e causas comuns, organizadas para defender e concretizar aquilo que defendem, e tanto os partidos como a militância são algo de nobre sem a qual a democracia não pode existir. O problema é que o caciquismo, o clientelismo, a lógica aparelhistica captura os partidos, e se junta à tendência de indiferença para afastar deles os melhores e atrair os piores. Porque as qualidades que permitem "subir na vida" dentro de um partido não são necessariamente as que fazem um bom político e um bom governante. 

As últimas duas disputas de liderança no PS e PSD são um excelente exemplo. Existe comparação entre a qualidade de pensamento, consistência, dimensão política, de Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel? E o que dizer da comparação António José Seguro e Francisco Assis? Fora da liderança do PS, quem é António José Seguro para o país? O que tem a dizer e a acrescentar fora da assistência dos militantes? 

Outro bom exemplo é como por vezes, entre azedas disputas internas, é díficil perceber as diferenças de ideias. Faz sorrir como o aparelho do PS esteve unânime e extasiado atrás de um Sócrates na direita do PS, para rapidamente se mudar de armas e bagagens para Seguro, a oposição ao mesmo Sócrates, em vez de Assis. Quem tenha alguma experiência da vida interna de um partido não estranha que as ideias sejam um acessório nestes debates. 

Mas de novo os partidos são essenciais, e é pura ilusão a demagogia de acabar com a classe política para dar a voz ao povo. Os partidos são parte do problema, e são também a solução. A qualidade da vida interna dos partidos, da sua militância, tem de melhorar e aproximar-se do cidadão. A forma de isso acontecer é por dentro, com a aproximação do cidadão comum aos partidos. A militância e participação mais generalizada na vida dos partidos é o melhor antídoto contra todos os vícios internos que capturam os partidos e os afastam da luta de ideias e projectos.

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