Chavez não era um
democrata. A democracia começa nas eleições e continua no respeito pelas
instituições, leis e regras, pela separação de poderes, pelos direitos e
liberdade de actividade das oposições, pelo debate e escrutínio dos
governantes.
Mas era popular.
Criava empatia e tinha metade da Venezuela genuinamente consigo. Quem procura
alternativas ao capitalismo e economia de mercado, sente-se atraído pela aura
da revolução bolivariana, que desafia os poderosos e devolve riquezas aos mais
carenciados, que pretende mudar e criar uma nova via. Mas olhando um pouco
melhor a imagem é embaraçosa: a concentração de poder numa só pessoa, os amigos
Kadhafi, Hamadinejad, Assad; o patrocínio à FARC; o uso do estado e dos meios do estados
como sua propriedade. O que fica é mais um projecto de poder do que ideologia
ou pensamento. Talvez por isso será tão díficil continuar sem Chavez, porque o
chavismo tem mais a ver com Chavez do que qualquer outra coisa.
Para as várias esquerdas alternativas deve ser um amargo de bocado ver
a verdadeira revolução bolivariana, como a cubana, a chinesa, e restantes
alternativas ao sistema político e económico ocidental. Ser contra é fácil, ter alternativa é pior. À falta de melhor, deixemo-nos estar...
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