domingo, 12 de fevereiro de 2012

Confiança

O parlamento grego vai votar hoje as condições para obter mais ajuda externa, no que não promete evitar um final caótico. Quando o anterior e eleito primeiro-ministro da Grécia propôs referendar o programa de austeridade caiu-lhe o mundo inteiro em cima, sem excepção de que me tenha apercebido. Acho estranho que assim tenha sido.

Dou de barato a oportunidade do momento escolhido, mas a verdade é que programas com um impacto tal na vida das pessoas só podem ser feitos em democracia com a legitimidade do voto.  E o voto obriga a clarificar escolhas e posições. Como se pode saber quantos representam os que fazem de Atenas uma batalha campal contra a austeridade?

Pela altura em que Papandréu propôs o referendo, o maior partido da oposição já tinha dito que iria votar contra o acordo, naquela posição confortável de poder ser contra o inevitável sabendo que vai ser aprovado na mesma. O referendo foi metido na gaveta, mas com a queda do primeiro-ministro cada um foi chamado às suas responsabilidades, e agora os 3 maiores partidos estão a aprovar medidas ainda mais severas que aquelas com que confortavelmente se declaravam contra.

Mas isto depois de obrigados quase a ferros a colocar por escrito os seus compromissos, com passos à frente e atrás, a dizer que sim e depois que não. E com eleições a 2 meses e partidos extremistas  subir. Que garantias pode a Grécia dar aos paises a quem pede dinheiro, de que vai implementar as medidas de que depende o programa?

Ver o que se passa na Grécia mostra como é importante a posição do governo de ser quase mais papista que o papa, que o PS esteja também comprometido com o acordo, e que o sistema político seja estável. É valioso que Portugal tenha na UE uma imagem de comprometimento com o programa da Troika, o nosso maior activo.

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