O argumento mais forte e importante contra o programa da troika e a austeridade é que esta é self-defeating ao criar um ciclo vicioso de empobrecimento e incapacidade de pagar as dívidas. A recessão diminui as receitas, obriga a mais impostos e cortes, que levam a mais recessão, consecutivamente. A alternativa é apostar no crescimento económico para sair da crise.
Como é que se aposta no crescimento? A primeira resposta rápida é não aplicando o programa da troika e a austeridade. A segunda é apostando no investimento e na produção. Vamos assumir que é verdade.
Um primeiro problema é que podemos tentar negociar alterações ao programa da troika, mas a resposta vai ser sempre "não" se antes disso não mostrarmos ser bons alunos; i.e. cumprir as metas de défice. Não cumprir unilateralmente era desastroso.
O segundo problema é que, se a resposta da troika fosse "OK", essa aposta no investimento e na produção ia ser o mesmo que temos feito na última década e meia. Nos últimos 10/20 anos endividámo-nos brutalmente, estado e famílias, e o efeito no crescimento económico está à vista. O endividamento e voluntarismo deixaram-nos à mesma distância que estávamos da europa, e agora de mão estendida. A aposta no crescimento não é nova, nem os resultados.
O estado não tem instrumentos para apostar no crescimento directamente; pode investir e criar emprego directamente, como fez, mas depois alguém vai pagar a factura. O que o estado pode fazer é criar o ambiente e as condições para o crescimento, uma envolvente favorável . É um facilitador, e tem muito por fazer.
O acordo de concertação social para flexibilizar o mercado de emprego é um bom exemplo. Facilita o ajustamento das empresas, que as pode salvar, e incentiva a criação de novo emprego. A perseguição dos ricos e da riqueza (o escando de descobrir que alguém tem um salário alto, a fúria contra o dono da Jerónimo Martins) são o exemplo contrário, que só pode pode colocar de pé atrás quem pode e quer investir.
O governo devia ter noutras reformas estruturais a mesma pressa e brio que tem tido nas medidas de austeridade. É fundamental que venham em pacote. Mas a austeridade não podemos contornar.
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