As primárias como método de escolha dos candidatos presidenciais faz toda a diferença. Existe um partido e é preciso organização e dinheiro para fazer as campanhas. Mas no fim a condição para se ser escolhido é a capacidade dos candidatos de criarem empatia e ligação com os seus eleitorados. O caciquismo, os sindicatos de votos e o controlo do aparelho por si valem pouco. Não se escolhem lideres com golpes palacianos em congresso.
Os debates entre os candidatos às primárias republicanas, apesar de aqui chegarem como caricatura, são um prazer pela riqueza de opiniões e visões. Aqui não existe "centrão". O ponto comum entre todos os candidatos é a importância da iniciativa privada, do empreendorismo, de abrir o caminho para todos lutarem e prosperarem pelo seu trabalho. A desconfiança com o governo, a regulação, a intromissão na vida individual das pessoas. Porque elas devem ter o caminho e o incentivo para dar o seu melhor e fazer o seu futuro. E nisso é profundamente americano. Nas medidas em concreto nem sempre é óbvio como se vai diminuir o estado (Bush por exemplo não o fez…) mas a ideia e a convicção está lá. E é partilhada pelos americanos como não é pelos europeus.
Depois há uma fluidez nos partidos que os enriquece. O Tea Party, quase um partido dentro do partido, mas também ele sem organização rígida, nasceu e ganhou influência pelo debate. Qual é o partido português com tendências e actividade internas movidas por ideias?
Nestas primárias podemos ver um candidato que defende a saída dos teatros de guerra, é contra o estado com agenda moral, e quer acabar com o Banco Central. E ao qual se pergunta se não irá concorrer for a do partido. Se o "establishment" não gosta de um candidato pode prejudica-lo, mas pela força do debate.
Os partidos existem como enquadramento da política, mas o palco é para o individuo.