sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O que mudou? (1)

Nestes 3 meses de standby no A Direito muito mudou. Portugal foi quase um caso de estudo de acomodação às medidas do programa de austeridade, na forma como as pessoas aceitaram aumentos de impostos, reduções de pensões, e cortes de subsídios na função pública. 

Podemos dizer que não aceitaram, tiveram de engolir, que foram os pensionistas e função pública, com menos voz, que estiveram a pagar a maior factura. Que houve um fascínio provinciano com os senhores da troika, com a autoridade que damos a quem vem de fora dar receitas. Que o pior é quando as medidas começam a ter efeito, o desemprego a aumentar, os subsídios a chegar ao fim. Mas a verdade é que houve uma consciência de que temos de aceitar sacrifícios e perdas excepcionais. E tudo isto terá sido ajudado pela sensação de como nas últimas semanas de Sócrates, a adiar até ao limite o pedido de resgate, estivemos tão perto da ruptura financeira do estado. Essa sensação todos tivemos e é mais poderosa do que qualquer palestra sobre o que está mal e tinha de mudar.

A isto somamos um governo com maioria absoluta, um PS bastante comprometido com o programa de ajustamento, um acordo de concertação social com a UGT. 

Deste ambiente favorável ao ajustamento e à mudança resta muito pouco ou nada mesmo.

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