Há um consenso grande em honrar o memorando com a Troika. As pessoas são contra as medidas em si e têm ideias diferentes sobre as culpas e responsabilidades, mas percebem que é preciso ajuda e têm receio do que aconteceria sem ela. Este é um consenso valioso. Ser abertamente contra o acordo e contra o pagamento da dívida é impopular. Por agora.
Ao passar do acordo à implementação do acordo as coisas são diferentes. Uns querem ir mais além, outros cumprir apenas o estipulado. Uns querem uma folga que acomode desvios, outros apontam que é austeridade por precaução. São em boa parte falsas polémicas.
Quando se diz (o próprio governo diz) que se quer ir mais além do acordado, a verdade é que não se foi. O acordo tem muitos aspectos mas o fulcral são as metas do défice; não a quantidade e direcção dos cortes nas despesas e aumento das receitas. Sem medidas adicionais o défice ficaria neste ano e no próximo muito acima das metas acordadas. Mesmo com as actuais medidas adicionais, descontada a integração dos fundos de pensões da banca, está acima do acordado.
Quando se acusa a existência de folgas e austeridade desnecessária, alguém duvida que durante o próximo ano ainda serão necessárias mais medidas para atingir a meta de défice acordada? Onde está a folga quando os desvios e surpresas são constantes?
Esta é a grande divisão no discurso em Portugal. Uma parte importante diz Sim ao acordo (alguns são os que levaram o país a precisar de o assinar) apenas para de seguida colocar um sem fim de "mas". É um sim à contre-couer de quem vê tudo isto como um percalço a sair fazendo o menos possível. E outra interiorizou a necessidade de cumprir o acordo e pagar as dívidas e tem esse objectivo como sine qua non. Com todos os custos, diz a prudência que é a melhor forma de nos defendermos.
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