sábado, 12 de abril de 2014

A Tutela da Revolução

O 25 de Abril foi uma revolução de esquerda, feita por pessoas de esquerda e num quase unanimismo de que era preciso implementar o socialismo em Portugal - mesmo que sem consenso sobre o qual. O preâmbulo da nossa Constituição refere esse caminho para o socialismo e, nesse sentido, pode-se dizer que falta cumprir Abril, e avaliar as políticas de cada governo face ao 25 de Abril. A associação 25 de Abril, na sua intervenção cívica em geral, e agora na exigência de ter direito à palavra nas celebrações do 25 de Abril no parlamento, está nesta lógica de Conselho da Revolução a supervisionar a conformidade das políticas de hoje aos "ideais de Abril". E não está sozinha.

Mas aquilo que comemoramos verdadeiramente no 25 de Abril é a liberdade e a democracia. Celebramos a liberdade de expressão, e não o que dizemos ao fazer uso dessa liberdade. Celebramos a sujeição do poder político ao voto, e não as políticas em concreto sufragadas pelo voto, através dessa liberdade trazida pelo 25 de Abril. Celebramos os meios e não os fins.

Aqui não há lugar para tutelas da revolução ou droit de regard sobre a nossa vida democrática. Se Vasco Lourenço, cuja representatividade dos participantes no 25 Abril levanta dúvidas, quer falar em nome do país e exigir a palavra no parlamento, deve ir buscar a sua legitimidade ao voto e ir a eleições com as suas ideias e projectos. Não custa ver que ia ter uma surpresa.

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