A grande entrevista de Sócrates vai ser um sucesso de audiências, e o programa de comentário seguido com toda a atenção (a começar por António José Seguro). A RTP1 é uma televisão generalista como a SIC e a TVI, que não se distingue pelos conteúdos oferecidos mas pelas baixas audiências e o défice que diariamente pagamos. Nesta perspectiva é um trunfo ter conseguido Sócrates como comentador.
A discussão e petições sobre se Socrátes deverá ter um programa de comentário na RTP tem algo de bizarro... se um comentador é interessante jornalisticamente, se tem potencial para conseguir audiência, qual é o critério para o excluir? Ter sido 1º Ministro? Tem deixado o país como deixou? Não consigo pensar em algum motivo que não seja assustador.
As televisões e os jornais devem pautar-se por critérios jornalisticos e ética. O interesse jornalístico é óbvio, e não vejo qual o problema ético em deixar falar quem quer falar e tem quem o queira ouvir. Se um ex-governante deixou má herança, essa avaliação deve ser feita por nós leitores e espectadores, e não pela comunicação social excluindo-o do espaço público. E isso aplica-se a televisões privadas e públicas.
Se o potencial de audiência existe, é porque há interesse em ouvir o que Sócrates tenha a dizer, e eu sou um deles.