quinta-feira, 10 de maio de 2012

A voz às pessoas

Quando o ex-primeiro ministro grego falou num referendo para legitimar a aplicação dos programas de austeridade tudo lhe caiu em cima, inclusivé na Grécia, mas numa democracia a voz acaba por ir ter de volta aos eleitores. Nem com a criativa regra dos 50 deputados extra ao partido mais votado os dois maiores partidos de regime conseguiram maioria no parlamento, muito menos no país.

Esse referendo tornaria a escolha dos eleitores muito mais clara e transparente: o Sim era a austeridade e ficar no Euro, o Não era sair do Euro. Os Gregos são contra os programas de austeridade e querem ficar no Euro, mas terão de escolher entre um e outro. O engano é alguns dos partidos gregos, como o da esquerda radical que ficou em segundo lugar nas eleições, quererem rasgar o acordo da troika para negociar outro, ficando no euro, recebendo mais ajuda. É como não conseguir pagar as prestações do cartão de crédito, chegar ao balcão, recusar pagar, e esperar novo empréstimo para manter os bens.

Não acho tão óbvio que os gregos dissessem não uma vez clara a consequência, mas caso dissessem estariam a exercer um direito. Não é possível aplicar um programa deste tipo contra o próprio país. No fim são as pessoas que teem de decidir, mesmo que possam decidir errado.

Os dados estão lançados, a europa fez a sua parte, agora cabe aos gregos decidir.

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