segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pré-guião das noites eleitorais

Em alguns acontecimentos, e em particular nas noites eleitorais, nota-se que todos preparam uma determinada cobertura do que se vai passar e depois existe dificuldade em adaptar essa cobertura quando a realidade e os resultados são diferentes do que se planeou.

Lembro-me do primeiro referendo sobre o Aborto em Portugal, em que em toda a campanha se esperou a vitória do Sim e as sondagens no fecho das urnas o confirmavam, ainda que tangencialmente. Todo o debate durante a contagem dos votos, isto é durante o tempo "útil" da noite eleitorial, assumiu e explicou a vitória do Sim. E acabou a contra-ciclo com o Não a ganhar e fecho da emissão. Tudo como se a noite eleitoral tivesse uma agenda e guião pré determinados.

Com as eleições Francesas e Gregas ficou-me um pouco a mesma sensação. Durante a noite todo o comentário e análise foram sobre os resultados em França, que são importantes, mas quase se ignorou o resultado das eleições na Grécia. Os acontecimentos desde aí mostram bem que a eleição decisiva foi a da Grécia, com os dois principais partidos a não conseguirem maioria absoluta, e a porta aberta a uma saída do país do Euro e da UE. Acho que isso já era claro na própria noite eleitoral, mas ninguém o suspeitaria ao ver as emissões televisivas.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A voz às pessoas

Quando o ex-primeiro ministro grego falou num referendo para legitimar a aplicação dos programas de austeridade tudo lhe caiu em cima, inclusivé na Grécia, mas numa democracia a voz acaba por ir ter de volta aos eleitores. Nem com a criativa regra dos 50 deputados extra ao partido mais votado os dois maiores partidos de regime conseguiram maioria no parlamento, muito menos no país.

Esse referendo tornaria a escolha dos eleitores muito mais clara e transparente: o Sim era a austeridade e ficar no Euro, o Não era sair do Euro. Os Gregos são contra os programas de austeridade e querem ficar no Euro, mas terão de escolher entre um e outro. O engano é alguns dos partidos gregos, como o da esquerda radical que ficou em segundo lugar nas eleições, quererem rasgar o acordo da troika para negociar outro, ficando no euro, recebendo mais ajuda. É como não conseguir pagar as prestações do cartão de crédito, chegar ao balcão, recusar pagar, e esperar novo empréstimo para manter os bens.

Não acho tão óbvio que os gregos dissessem não uma vez clara a consequência, mas caso dissessem estariam a exercer um direito. Não é possível aplicar um programa deste tipo contra o próprio país. No fim são as pessoas que teem de decidir, mesmo que possam decidir errado.

Os dados estão lançados, a europa fez a sua parte, agora cabe aos gregos decidir.