Em alguns acontecimentos, e em particular nas noites eleitorais, nota-se que todos preparam uma determinada cobertura do que se vai passar e depois existe dificuldade em adaptar essa cobertura quando a realidade e os resultados são diferentes do que se planeou.
Lembro-me do primeiro referendo sobre o Aborto em Portugal, em que em toda a campanha se esperou a vitória do Sim e as sondagens no fecho das urnas o confirmavam, ainda que tangencialmente. Todo o debate durante a contagem dos votos, isto é durante o tempo "útil" da noite eleitorial, assumiu e explicou a vitória do Sim. E acabou a contra-ciclo com o Não a ganhar e fecho da emissão. Tudo como se a noite eleitoral tivesse uma agenda e guião pré determinados.
Com as eleições Francesas e Gregas ficou-me um pouco a mesma sensação. Durante a noite todo o comentário e análise foram sobre os resultados em França, que são importantes, mas quase se ignorou o resultado das eleições na Grécia. Os acontecimentos desde aí mostram bem que a eleição decisiva foi a da Grécia, com os dois principais partidos a não conseguirem maioria absoluta, e a porta aberta a uma saída do país do Euro e da UE. Acho que isso já era claro na própria noite eleitoral, mas ninguém o suspeitaria ao ver as emissões televisivas.