sexta-feira, 26 de julho de 2013

Novo governo, nova oportunidade

Desde a demissão de Vítor Gaspar e tudo o que se lhe sucedeu que por várias vezes comecei a escrever comentários aos acontecimentos e não terminei, tal a velocidade a que estes se sucederam e a dificuldade em ver lógica no que vimos acontecer. Um dos momentos em que fiquei estupefacto foi quando, no final da tarde de 2 de Julho, Passos Coelho vem dizer que não se demite nem aceita a demissão de Paulo Portas. A mim pareceu-me pura negação e desorientação. Foi surreal. 

Mas agora vejo que foi o momento decisivo. Passos Coelho foi um líder, manteve a cabeça fria e soube procurar o entendimento contra as adversidades. Tem culpas nos problemas anteriores que permitiram esta crise, mas também o mérito de no fim ter sabido gerir o "caos" e encontrar a solução.

Dado o entendimento a que PSD e CDS chegaram, não faria sentido convocar eleições. Se um governo tem uma maioria no parlamento, se ambos os partidos se mostram unidos para continuar a governar, porque se havia de interromper a legislatura? 

E agora que parece terminada a crise, se esquecermos a crise em si (ninguém o esquecerá, mas até isso é importante para saberem evitar uma próxima), acho que ficamos com um governo melhor. O CDS está mais envolvido, o que pode não ser bom para o CDS (os pés terão de estar ambos dentro do governo) mas é bom para o governo e o país, e as suas ideias, comuns à maior parte do PSD e mais próximas do PS, terão melhor acolhimento. Não é o fim da austeridade, entendida como rigor nas contas públicas, mas pode ser uma maior sensibilidades às questões económicas. E uma melhor condução política do governo.

A proposta de reforma do IRC, por exemplo, tem mais sentido neste governo que no governo pré-crise. Haverá agora mais força dentro do governo para puxar por este tipo de medidas, que podem ter algum custo orçamental a curto prazo, mas com benefícios óbvios.  É uma verdadeira reforma estrutural que aumenta o potencial de crescimento económico, e que é um feito se conseguida com consenso ao PS.