Desde sempre me interessei por Margaret Thatcher e é com tristeza que a vi despedir-se.
Com ideias aparentemente minoritárias, Thatcher conseguiu ganhar as 3 eleições gerais a que se submeteu e levar a cabo um programa que mudou o Reino Unido. Privatizações, libertação do controlo dos sindicatos e e libertação em geral da vida económica e das pessoas. Polémica e sempre contestada, até no momento da morte, a verdade é que o essencial dos seus governos e do seu legado ficou e foi incorporado até pelos seus adversários.
A sua maior qualidade, a sua single mindedness, foi ao mesmo tempo a sua maior força e limitação: deu-lhe a capacidade de levar por diante o que acreditava estar certo contra as adversidades e o pensamento dominante, e contribuiu no final para o seu progressivo isolamento mesmo entre colegas de partido. Ainda assim, Margaret sabia debater e é interessante ver como questionava por vezes ferozmente as opções que lhe eram propostas, antes de as adoptar e depois defender perante o país. É lamentável que não tenha podido terminar o seu governo como o começou, pelo voto popular, algo que só possível pelo método particular de eleição do Partido Conservador.
Olhando para trás julgo que o que mais afectou a sua grandeza foi a renitência em afastar-se da política corrente depois da saída do governo, mas a herança dos seus anos no governo e na política ficou e é extraordinária. Fazem falta pessoas assim.